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esquina de espuma

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O encontro das ruas

Este chão duro, minha cama de bruços

A cosquinha do plástico em minha perna,

Doce como abraço de mãe

 

Meu molar frouxo hoje vai cair

Entre o polegar e o dedão o seguro

Num vaivém que revela um sangue

Também doce e me mata a sede

 

Dorme a cidade inteira

Há anos

 

O cheiro fétido do mangue o faz lembrar de caranguejos

Paneladas mais paneladas de caranguejos

 

Arranca uma perna

Chupa a carne que insiste em permanecer

Ainda que morta

 

Doce

Mas não tão conservadores como os siris

Que andam ao contrário

 

21 de outubro de 2012, Rio de Janeiro

A cosquinha do plástico preto

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